13 de abril de 2014

VINHO: O santo licor


Há 7.000 anos, às margens das montanhas do Cáucaso, nascia a primeira vinha selvagem. Cultivada na Mesopotâmia ( na região do atual Iraque), suas sementes se espalharam por toda a Bacia Mediterrânica, cruzaram o oceano e ganharam os solos europeus e americanos.
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No livro "Vinho", Jean-François Gautier traça a história desta bebida milenar, consumida tanto nos funerais egípcios como nos simpósios gregos.
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Não é nenhuma novidade o fato de o vinho ter ralação intrínseca com as religiões. Os egípcios, assim como os romanos, utilizaram-no em seus rituais.  Em Caná da Galiléia, o Senhor Jesus realiza o milagre da transubstanciação da água em vinho. (João 2,1-12).
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São Bento de Núrsia (480d.C), estabelece como regra que beber vinho sem moderação, ou seja, a "bebedeira" mesmo, consiste em pecado mortal. Esse posicionamento é fundamentado nas Sagradas Escrituras.
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Vale destacar que no livro do profeta Isaías, a embriaguez é repreendida; “Ai daqueles que desde a manhã procuram a bebida, e que se retardam à noite nas excitações do vinho! Amantes da cítara e da harpa, do tamborim e da flauta, e dos vinhos em seus banquetes, mas para as obras do Senhor não têm um olhar sequer e não enxergam as obras de suas mãos". (Is 5,11)
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Em Gálatas (5,21), a embriaguez consiste em obstáculo para a salvação: "As obras da carne são estas; fornicação, brigas, ciúme, bebedeira e outras coisas semelhantes; os que praticarem não herdarão o Reino de Deus".
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A partir do século 9, os vinhedos começavam a cobrir os solos das províncias francesas. Algumas ordens religiosas como a dos beneditinos cultivavam a vinha para produção do vinho, com o objetivo de representar, na missa, o Sangue de Cristo.
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Existe uma rica simbologia referente ao vinho: lembra o sangue dos santos mártires da Igreja Católica perseguidos por causa da sua fé. Denota o sangue derramado nas mais diversas situações de martírio.
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A ocorrência de maior consumo de vinho, na França, se deu, segundo  Gautier, no século 18, cujos incentivos fiscais partiram do próprio governo, havendo oscilações nos séculos subsequentes. Paralelamente ao consumo social desta bebida, os reflexos do alcoolismo estão registrados na literatura desse período, inclusive nos escritos do indecente Émile Zola.
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Devido ao desenvolvimento das ferrovias, a França notabilizou-se como grande exportadora desse produto, sendo que, entre os destinatários, dominavam os nobres europeus.
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Na Europa, especialmente na França, a partir dos anos 60, do século 20, houve veloz redução quanto ao consumo de vinho, ocorrendo a substituição por refrigerantes e similares. Motivou este fato a estratégia governamental de propaganda contra o produto. A presença do vinho no continente americano se deveu à ação dos missionários cristãos e aos colonizadores que, por motivos distintos, trouxeram essa muda mítica, ou seja, o "santo licor" para essas terras americanas.

Fotos  ilustrativa ( Internet)

Texto fonte blog "Pensando e Rabiscando":  http://jluizfaria.zip.net/  




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