7 de setembro de 2014

Álcool + diversão = uma mistura perigosa para os adolescentes

Três possíveis causas e uma grande consequência: o empobrecimento da vida pessoal e social
Chega o fim de semana, começa a noite e as baladas promovem festas que atraem jovens à diversão vinculada ao álcool; as festas em casas de amigos dão passe livre ao seu consumo até altas horas da madrugada; outros – muitas vezes adolescentes, de ambos os sexos – simplesmente compram uma grande quantidade de bebidas e saem por aí, muitas vezes dirigindo, para divertir-se.

No dia seguinte, é possível fazer uma triste contagem das notícias trágicas na mídia sobre acidentes, aos quais se somam os comentários sociais grotescos nos diversos ambientes.

Ainda assim, isso só mostra parte do fenômeno, algo como a ponta de um iceberg: brigas nas saídas das baladas; altas velocidades nas ruas; testemunhos de vulgaridade; faltas de respeito à ordem social em todas as suas expressões, bem como entre os adolescentes que saíram juntos para se divertir.

Além disso, há ressacas físicas e morais por comportamentos que podem ou não ser lembrados; por ter feito o ridículo; por ter perdido o bom senso e, com isso, outras coisas difíceis de recuperar ou reparar.

As causas deste triste fenômeno são variadas. As mais frequentes são:

Ambiente familiar: famílias desintegradas; maus-tratos ou violência; carência afetiva; cultura familiar de convivência e diversão ao redor do álcool; pais e/ou irmãos mais velhos dependentes de álcool.

Ambiente social: tolerância social e ilegal no consumo do álcool. A corrupção se manifesta em não sancionar os estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas a menores de idade, a indução da publicidade ao consumo de bebidas dirigido a adolescentes, apenas com fins comerciais.

Psicologia do adolescente: o consumo de bebidas alcoólicas possui, para os jovens de hoje, um simbolismo cultural, como um rito coletivo de iniciação da vida adulta; é a porta de entrada para ser aceito e fazer sucesso no grupo de amigos; para não desentoar em um ambiente de diversão no qual todos bebem; experimentar o que acontece quando se bebe; também é um meio para livrar-se dos condicionamentos internos (medo, timidez, ansiedade etc.) e "reconfigurar" a personalidade.

Assim, o álcool passa a ser visto como a fórmula infalível para a obtenção de uma "alegria" que deriva de um prazer de curta duração e que, por isso, carrega a exigência de aumentar a dose e a frequência de consumo.

Assim, buscando apenas a euforia passageira que o álcool produz, os adolescentes acabam mais aficionados às bebedeiras perigosas, e a primeira coisa que fazem ao sair de casa é beber a maior quantidade de álcool no menor tempo possível, buscando "colocar-se" em uma dimensão que permita esquecer-se dos próprios problemas, superar limitações, livrar-se do tédio ou da depressão, manifestando, com isso, um vazio interior que é fruto da imaturidade e que pode levar à dependência.

É assim que muitos adolescentes de hoje associam, de maneira "necessária", o sair para divertir-se com o consumo de álcool, acostumando-se ao trato que prevalece em um ambiente de pessoas que, não tendo desenvolvido a capacidade para o diálogo consigo mesmas, tampouco a desenvolveram com relação aos outros e, sem saber, entram em uma espiral de empobrecimento pessoal, unido a todos os riscos antes mencionados.

(Artigo publicado originalmente pela revista Ser Persona)

FONTE: http://www.aleteia.org/pt


Postar um comentário